8.10.15

Ponto de Luz

Num ponto tudo se concentra 
todo este caminho aponta
a um raio de Luz

Olhares cúmplices 
nas mãos que se dão
às caricias de todos os dias
Pálida memória de uma vida só
neste sonho de viajem a dois 
que agora me seduz

31.10.13

Olhos de Luz (para ti meu amor)

Se o mar um dia te abraçar
serás equilibrista de sentimentos.
A cada passo na corda, um desejo
e cada desejo é um beijo.

Com o sonho nas tuas mãos
voltas a acreditar no amor
e o amor é a magia do desejo

No teu céu de luz, as cores
mágicas são os teus olhos
e os teus olhos são os faróis
que conduzem a minha vida

27.10.13

Magia de um dia

Num dia somos todos magia
o céu e as estrelas descem
É a vida que ao longe surgia

Somos agora estes momentos
atingidos na solidão de um dia
Somos mar, luz e sentimentos

Somos nós a querer ser felizes
no sonho que se deseja viver
Nas caricias doces de petizes
nas flores de outono a crescer

1.10.13

Sereno

Frio 
como naquela noite de inverno,
o tempo congelou.

Não há rio
que corra eterno,
toda a vida mudou.

Desafio
um sonho moderno,
e tudo serenou.

Perdido
num labirinto terno,
é o fim, tudo acabou

Dobrei a vida

Dobrei a vida em dois
De um lado a doce recordação
de um amor antigo e extinto
Do outro a estranha sensação
que me encontro num labirinto

Voltei a dobrá-la em dois
De um lado a angustia e a sensação
que um grande amor nunca morre
Do outro a falta de dedicação
a esta vida que me abandona e corre

Não voltarei a dobrar a vida
Nada há de novo para sonhar
Nada já se pode iluminar
Apenas esperar na partida

Algum dia

Se algum dia voltares 
A amar
O universo parou nesse lugar
Podemos beijar o céu e a terra
E eu estarei para te abraçar 
Como se o mundo fosse acabar 
Eu e tu zarpamos neste barco
Para não mais voltar.

Vida

deita-se o dia na esteira dourada 
enfeitada de múltiplas cores 
a noite aproxima a vida sonhada
traz com ela jardins de flores 
para uma terra abençoada
mas são as vozes de longe
que fazem recordar a vida
na manhã que sempre surge

6.4.13

mulher moçambicana


Mulher Moçambicana, livre
Enrola a Paz numa trança
Nesta esperança que sobrevive
E faz da coragem uma dança

És tu Mulher, que conquistas
O Sol com um longo olhar
Enfrenta a vida, não desistas
Tens um Mundo para embalar

Mulher, nunca esperes
Luta pela justiça e liberdade
Não é a violência que queres
Traz os teus sonhos à claridade

Mulher, enfeita o coração 
Abraça a vida e sai para a rua
Conquista o mundo com a tua mão 
Que esta flor será sempre tua

22.2.13

Todos os dias cabem na tua mão



Todos os dias cabem na tua mão
São pequenos pedaços de luz
Que te protegem desta canção
Melancólica e triste que não seduz

Antes sozinha toda a vida
Que ter um coração ausente
Ou uma palavra perdida
Que sempre se desmente

Os dias elevam-se no horizonte
Como as últimas claridades
De um dia que a custo compete
Com a noite das duras realidades


18.2.13

mal-me-quer-ama-re-lo


16.2.13

Um dia


Nada aconteceu por acaso
Penso que a vida se rege
Como se fosse um mar raso
Onde uma onda é um herege

Não parto de boa vontade
Somos nós a escolha da vida
Acabo por aceitar a verdade
E arrumo tudo para a partida

No fim escolho o dia certo
Despeço-me da saudade
Um sentimento correcto
Para quem ama a liberdade

12.2.13

Musa


Sou uma pequena estrela
no céu dos teus olhos
Sou um fim de tarde distante
no caminho da lua serena
Sou o mágico que te oferece
uma flor cor de fogo

És a musa que inspiras
o céu do meu olhar
És a minha distância doce
de uma voz que não se esquece
És a alma mágica da vida
que agora começa.

31.1.13

uma acácia no meu lugar


São duros os dias que passam devagar
Gostaria de levar comigo uma só flor de acácia
E com ela os teus cabelos enfeitar

Não se deitam estas noites na claridade
Dos dias em que se pensa sem parar
E chega a hora lua para esconder a vaidade

Dos cabelos ao vento, soltos pela liberdade
Mais um dia que começa e acaba sem cessar
Na despedida quero uma acácia no meu lugar

3.12.11

lugar das acácias

Mais uma vez percorro Maputo com o olhar de despedida. Inunda-me este sentimento nostálgico que não devia partir, acho que o meu lugar é aqui. É aqui que devo ficar. É por aqui, vagueando pelas ruas, que encontro gente invisível nos portões das casas despidas de luxos. Gente que, não sei o que sonha, não sei para onde vai, nem o que quer ser. Provavelmente não os entendo com estes olhos desfocados, ocidentalizados, na perspectiva de que qualquer um deve ter um fim para lá da sua existência terrena. Aqui não. Viver basta. 


são estas acácias que trazem a cor dos dias 
que passam agitados com o vento que a tarde 
insiste em prolongar 


as almas boas que se escondem da noite que, 
curta nos sonhos, desconforta o corpo dorido 
de todos os dias vividos nos anos que de tão longos 
não se alcançam com o olhar terno e doce 


de quem acaricia a vida que serve de almofada 
não serão serão os pesadelos que o vão acordar, não, 
vai ser a flor rubra da acácia a fazer lembrar 
que outro dia vai começar

futuro abandono

não queiras interromper o correr destas nuvens
não perturbes o vento que envolve os teus cabelos
com os lamentos da vida

deixa que o sonho aproxime a mansidão das manhãs
que acordam os sorrisos puros e eternos
da gente que não vive neste mundo
onde tudo parece distante e obsoleto
onde nem os deuses te farão companhia
nesse abandono

9.9.11

vou ficar por aqui

Sei que vou ficar por aqui 
este amor é meu e sempre 
vou saber o dia em que acabar
o Sol deixará de iluminar
este vício que é só meu
o vício de ti não vai passar
não sei porque não se desfaz
em nuvens de sal sobre o mar
sei que vou ficar por aqui
com este amor que é só meu.

8.9.11

Parsifal - um poema

A música que ainda se ouve vem de tão longe
atravessa a cidade numa delicadeza fazendo
vibrar a noite no silêncio

Talvez te apeteça escutar
 mas quem quer entender estes acordes mágicos
 tendo a certeza que alguém nos conduz sem as palavras
que temos para trocar

Talvez te apeteça sentar e fumar
conversar sobre aquilo a que o destino nos condenou
 ou simplesmente seguir o ondular do fumo que preenche
 a noite

Talvez nem me queiras ouvir
a noite ficará preenchida com música
que invade a casa tomada pelos fantasmas passados
cheia de vozes tristes e distantes

Talvez, talvez, talvez, … fica incerto este lugar,
desfocado da realidade pela água que insiste em não cair
do olhar que se afasta sem pensar que a noite é sempre despedida.

3.9.11

"No passado cometi o maior pecado que um homem pode cometer: não fui feliz." Jorge Luís Borges

21.8.11

sina

triste é a sina
que não nos sai das mãos
tal tinta encantada
que nos desenha a vida
em círculos cada vez maiores
mas sempre mais pequenos que o mundo

quero é voar
quero é disfarçar
a vida pequena neste mundo
mas sempre aquela tinta que pinta
que nos marca e nos prende ao chão

a paz

se o mar fosse como os teus cabelos
seria o maior dos navegadores
deixaria correr os meus dedos

se os teus olhos fossem as estrelas
percorria todos os mares
num desejo de eternos amores

se o teu abraço fosse o cais
atracaria para sempre
na paz do teu regaço