1.10.10

Desliga-te


São nuvens, vêm de longe
Trazem vozes e risos

Nos fios vibram pássaros
Brilhantes de iluminados
Pelas lágrimas ao luar

São pontos, separam frases
Que ficaram por dizer

Nos cabelos doirados, finos
Coam dedos rudes
De vidas passadas

Tudo acaba, desliga a vida
Neste ponto.

16.7.10

Porque não estás?

Porque não estás?
Pergunto-me que desejo é o teu

Partilha esse sentimento
Que penso ser igual ao meu

Nem me imagino perguntar-me
Que vai dentro do teu coração

16.10.09

braços abertos

levantou-se um vento
que no fim da vida
lhe secou a garganta de tanto gritar
cerrou os olhos para ninguém
encontrar

a vida inútil
presa num salto de cavalo
que nunca se separa do chão
certo que o vento irá soprar
sempre no fim da vida

lançou-se de braços abertos
para nunca mais voltar

30.7.09

desespero

sentia o desespero dos dias frios

sentia a solidão, roer-lhe os ossos

 

numa encruzilhada

deixou um pedaço dele algures

 

como podem ser cruéis

os dias frios de solidão

 

19.6.09

deixa que

deixa que os olhos se fixem
no horizonte

espera que o mundo
se confronte

com o desejo de vida
diante da tua fonte

espera o meu regresso
com a luz de sempre

mesmo que nunca regresse

Não chores. Hoje

não chores. hoje,
o meu olhar caiu no mar
procurei-o num barco inventado.
parti de um porto cansado
farto de procurar
encontrei apenas o luar

longe

ainda voltas
onde te possa
olhar
e entender quem és

não sei se
se entendes que o amor
chega ao fim

quando o olhar
se entristece e se prende
longe

19.3.09

voltar

volto ao mundo
desabitado de ternura
sinto a mais profunda tristeza
de ter tudo e perder

nada me parece mais injusto
nesta revolta silenciosa
amar assim, custa.
doi, voltar e perder

16.12.08

Sim, claro!

Sim, claro!
podes ajudar-me a suportar este tempo
que separa o olhar e o mar
podemos dançar
numa corda que se parte
com uma qualquer palavra
que se atira, num desvairo
sem sentido que se
apaga com o luar

5.4.08

Morte de um poeta

Não chores quando morre um poeta
Ele sabe morrer!

Não há mais tempo,
não há mais equilibrismo de palavras
de felicidades remendadas com
linhas coloridas.

De olhos cerrados,
como despedida, sussurra
uma canção de embalar
e deixa-te ficar

Tudo, o tempo leva
só o sonho de grande amor
permanece.

18.3.08

tribo

na hora em que a tribo recolhe
aos nobres covis de azulejo
apetece-me quebrar o silêncio
do fim de tarde

são, são para ti estas palavras
que não te encontram,
de desejo da noite que cai

corria para os teus braços,
assim eles estivessem abertos,
beijava-te desajeitadamente

na hora em que a tribo recolhe,
fico só por vontade própria.

11.2.08

Samba

Tire o seu sorriso do caminho
Que eu quero passar com a minha dor
Hoje pra você eu sou espinho
Espinho não machuca a flor

Eu só errei quando juntei minh'alma à sua
O sol não pode viver perto da lua
É no espelho que eu vejo a minha mágoa
É minha dor e os meus olhos rasos d'água
Eu na tua vida já fui uma flor
Hoje sou espinho em seu amor

Samba de Guilherme de Brito, Brasil

16.1.08

Sentidos da Ciência, na primeira pessoa.

São quatro, quatro mil ou quatro milhões de sensações quando pretendo percorrer os sentidos na sua forma abstracta.

O sentido da Terra é a demonstração mais humana da minha grandeza. A mesma terra que domina a vida e é dela que conscientemente dependo. Arrasto os pés no chão para me sentir vivo, para acreditar que existem outros seres vivos e que a ilusão me preenche com uma vasta planície

Acredito na partida. Não domino os sentimentos que enrolam a partida, num misto de tristeza e de profunda nostalgia. Mas alguém criou os instrumentos necessários e são eles que de forma soberba nos mostram as portas dos reinos e de terras distantes. E a ouvir a terra, que mesmo distante, não deixa de me envolver. É gente que pretendo ser. Gente que domina por completo o espaço e o tempo e que sabe que tudo gira em torno deste.

Que tempo me espera no futuro? Serão os cheiros, as formas a luz que vou continuar a sentir? Esta sensação de estar parado a sentir o espaço que se altera.

Tudo o que me envolve é luz é imaginação. Contas de cores garridas que se perdem no contar do tempo. Jogo com sentidos que se unem à terra e à vida

Sentir é olhar o oriente longínquo e a proporção divina do recorte.Tudo é sonho, ciência e magia. Tudo é vida.

palavras por dizer

deixa que abrace, que te embarace
com o disparate de te ter
a meu lado

de sentir esta terra
percorrendo os meus passos
com o horizonte por companhia

deixa ser a tua lua
que ilumina o teu rosto
com a luz das minhas palavras

deixa-me voar
por cima das árvores
deixa-me partir por esta estrada

quero-te bem

16.7.07

chora

Chora
a nossa alma quando se
perde-se no sonho
na corda bamba
de um equlibrista

Sonha o amor
com a mancha da solidão
no coração amargo
de um amor

18.4.07

corro

corri sempre em passo pouco seguro,
queria saber por onde andavas

por que caminhos
como vestias

numa noite tropecei em ti
encontrei este caminho

que corro em passo pouco seguro

4.4.07

paixão

parece que o mundo termina
numa lingua fina

parece que, afinal
tudo começa, quando algo acontece
e beijamos alguém especial

parece,
que a paixâo acaba em prece
quando o nosso amor está longe
e tudo nos parece tão irreal

23.3.07

bem-me-quer

quem me conhece?
disfarçado de animal
tão pouco real!

quem me quer?
disfarçado de flor
mal me quer.

quem me vê?
num lago azul
cheio de sombras.

ninguém?
ainda bem...

19.3.07

não tenho o prazer









não tenho o prazer de te ver
dançar no meu palco

prende-me um fio do teu cabelo à luz da sedução

liberto-me do desejo de te amar
afogando-o na imaginação

13.3.07

ruina

perde-se o tempo
numa ruína desejada

criou-se o mar para navegar

sentimos o vento ...
com ele a esperança

mas de nada serve
se não te posso amar