16.12.08

Sim, claro!

Sim, claro!
podes ajudar-me a suportar este tempo
que separa o olhar e o mar
podemos dançar
numa corda que se parte
com uma qualquer palavra
que se atira, num desvairo
sem sentido que se
apaga com o luar

5.4.08

Morte de um poeta

Não chores quando morre um poeta
Ele sabe morrer!

Não há mais tempo,
não há mais equilibrismo de palavras
de felicidades remendadas com
linhas coloridas.

De olhos cerrados,
como despedida, sussurra
uma canção de embalar
e deixa-te ficar

Tudo, o tempo leva
só o sonho de grande amor
permanece.

18.3.08

tribo

na hora em que a tribo recolhe
aos nobres covis de azulejo
apetece-me quebrar o silêncio
do fim de tarde

são, são para ti estas palavras
que não te encontram,
de desejo da noite que cai

corria para os teus braços,
assim eles estivessem abertos,
beijava-te desajeitadamente

na hora em que a tribo recolhe,
fico só por vontade própria.

11.2.08

Samba

Tire o seu sorriso do caminho
Que eu quero passar com a minha dor
Hoje pra você eu sou espinho
Espinho não machuca a flor

Eu só errei quando juntei minh'alma à sua
O sol não pode viver perto da lua
É no espelho que eu vejo a minha mágoa
É minha dor e os meus olhos rasos d'água
Eu na tua vida já fui uma flor
Hoje sou espinho em seu amor

Samba de Guilherme de Brito, Brasil

16.1.08

Sentidos da Ciência, na primeira pessoa.

São quatro, quatro mil ou quatro milhões de sensações quando pretendo percorrer os sentidos na sua forma abstracta.

O sentido da Terra é a demonstração mais humana da minha grandeza. A mesma terra que domina a vida e é dela que conscientemente dependo. Arrasto os pés no chão para me sentir vivo, para acreditar que existem outros seres vivos e que a ilusão me preenche com uma vasta planície

Acredito na partida. Não domino os sentimentos que enrolam a partida, num misto de tristeza e de profunda nostalgia. Mas alguém criou os instrumentos necessários e são eles que de forma soberba nos mostram as portas dos reinos e de terras distantes. E a ouvir a terra, que mesmo distante, não deixa de me envolver. É gente que pretendo ser. Gente que domina por completo o espaço e o tempo e que sabe que tudo gira em torno deste.

Que tempo me espera no futuro? Serão os cheiros, as formas a luz que vou continuar a sentir? Esta sensação de estar parado a sentir o espaço que se altera.

Tudo o que me envolve é luz é imaginação. Contas de cores garridas que se perdem no contar do tempo. Jogo com sentidos que se unem à terra e à vida

Sentir é olhar o oriente longínquo e a proporção divina do recorte.Tudo é sonho, ciência e magia. Tudo é vida.

palavras por dizer

deixa que abrace, que te embarace
com o disparate de te ter
a meu lado

de sentir esta terra
percorrendo os meus passos
com o horizonte por companhia

deixa ser a tua lua
que ilumina o teu rosto
com a luz das minhas palavras

deixa-me voar
por cima das árvores
deixa-me partir por esta estrada

quero-te bem

16.7.07

chora

Chora
a nossa alma quando se
perde-se no sonho
na corda bamba
de um equlibrista

Sonha o amor
com a mancha da solidão
no coração amargo
de um amor

18.4.07

corro

corri sempre em passo pouco seguro,
queria saber por onde andavas

por que caminhos
como vestias

numa noite tropecei em ti
encontrei este caminho

que corro em passo pouco seguro

4.4.07

paixão

parece que o mundo termina
numa lingua fina

parece que, afinal
tudo começa, quando algo acontece
e beijamos alguém especial

parece,
que a paixâo acaba em prece
quando o nosso amor está longe
e tudo nos parece tão irreal

23.3.07

bem-me-quer

quem me conhece?
disfarçado de animal
tão pouco real!

quem me quer?
disfarçado de flor
mal me quer.

quem me vê?
num lago azul
cheio de sombras.

ninguém?
ainda bem...

19.3.07

não tenho o prazer









não tenho o prazer de te ver
dançar no meu palco

prende-me um fio do teu cabelo à luz da sedução

liberto-me do desejo de te amar
afogando-o na imaginação

13.3.07

ruina

perde-se o tempo
numa ruína desejada

criou-se o mar para navegar

sentimos o vento ...
com ele a esperança

mas de nada serve
se não te posso amar

26.1.07

beijo

fechei os olhos
num escuro descanço
deixei-me prender

nos lábios quentes
ficou presa, a imagem
no escuro do céu

tudo acaba aqui
no alto das estrelas
partindo do mundo

24.1.07

eu nem sei

abri os braços
junto ao abismo
do mais profundo do olhar

- sabes, sei voar!

desejo que sejas uma ave do paraíso
e salto, no mais profundo abismo

- sabes, nem sei sequer abrir as asas.
sustenho o ar e o riso

1.12.06

dia de tudo

se houvesse um dia, um só dia,
um dia de mudar
vestia o melhor fato, até gravata,
saia na rua a dançar

se houvesse esse dia
bebia o melhor vinho
matava de uma vez só
a saudade de me libertar

se houvesse um dia, meio dia,
a noite seria de estrelas
cintilantes só nos teus olhos
de tanto amar

18.9.06

claro

claro

que te deixo cair
num sermão desarticulado
de mal dizer

podes morrer
numa overdose
de estupidez

que nada me importa!
porque eu?
quero apenas viver

8.9.06

não vou

não vou voltar para te amar
não vou deixar de te beijar

enquanto o som das palavras se ouvir
não vou desistir

de criar uma imagem de partida
um adeus no ar

para não voltar

15.8.06

infelicidade

porquê?
porque te julgas importante para me julgar?

de onde vens?
quantas vezes ousaste ser diferente?

que voz queres?

sinto que és infeliz
porque não tens um mar

tens um rio
que não tem foz

sem ti

sem ti
não vi o sol chegar
perdido no horizonte
num abandono desesperado
desejei ser o vento
para te beijar

9.6.06

madrugar em moçambique

Madrugar é enrolar a neblina
No silêncio das despedidas
Deitar a noite
Numa esteira de luz
Acordar o dia
Com o frio da manhã